“Contrariamente ao paradigma tecnocrático, afirmamos que o mundo que nos cerca não é um objeto de exploração, de uso desenfreado ou de ambição ilimitada. Tampouco podemos afirmar que a Natureza é um mero ‘ cenário ’ no qual desenvolvemos nossas vidas e projetos, pois ‘ somos parte da Natureza, incluídos nela e, portanto, em constante interação com ela’.          [Laudato Si’ , §139]

 “Por essa razão, uma ecologia saudável é também o resultado da interação entre os seres humanos e o meio ambiente, como ocorre nas culturas indígenas e tem ocorrido há séculos em diferentes regiões da Terra”.

                                                                                                             (Laudate Deum, 4 de outubro de 2023, §25–27)

Reflexão

A ciência e a tecnologia oferecem grandes oportunidades de interação com o mundo e com a Natureza. No entanto, essas interações exigem discernimento cuidadoso, pois o poder que adquirimos por meio da pesquisa científica e das aplicações tecnológicas pode ser abusado e fugir ao controle. Sua rápida evolução nos ameaça e nos tenta a esquecer nossa dependência dos serviços vitais que a Natureza nos oferece.

Muitas vezes pensamos em como usar a Natureza para satisfazer necessidades imediatas, sem considerar as consequências de longo prazo. Não vemos a Natureza como uma parceira de diálogo, mas como um mero objeto cujas resistências devem ser superadas para saciar nossos apetites.

É necessário refletir sobre nossas motivações ao usar o poder que a ciência e a tecnologia nos concedem: o que nos move? Buscamos dominar a Natureza e afirmar nossa própria superioridade como seres humanos? Ou estamos conscientes de nossa dependência do mundo interconectado que nos cerca?

A ciência e a tecnologia são linguagens — poderosas e limitadas ao mesmo tempo. Além disso, não são as únicas linguagens que o ser humano utiliza. Restringir-nos a elas é esquecer outros aspectos do ser humano. Essas linguagens podem ser faladas com respeito, mas nem sempre o são. Quando tiradas de contexto e absolutizadas, cegam-nos para a realidade e para o nosso lugar nela.

 A ciência e a tecnologia exigem discernimento respeitoso: devem permitir que a Natureza expresse sua realidade e que o ser humano reconheça seus limites. Quando bem utilizadas, como sugerem as culturas indígenas, proporcionam uma dinâmica rica e co-criativa com a realidade.

Oração:        O fato de sermos capazes de ciência e tecnologia mostra o papel criador que podemos exercer em tua criação, ó Deus. Na humanidade, a criação adquire grandes capacidades. Mas isso pode nos enganar: esquecemos que somos parte da Natureza, esquecemos que pertencemos a ela e dela dependemos. A busca pelo poder e pela satisfação de necessidades imediatas pode nos desviar e nos levar a ignorar as consequências a longo prazo.

Rezamos: ensina-nos a humildade, nossas raízes na Terra, no cosmos. Que saibamos usar nossa ciência e tecnologia a serviço de um futuro sustentável para o nosso mundo. Pedimos isso por Jesus de Nazaré, que nos mostra o caminho duma vida sustentável. Amém.                                                                                                                   Jacques Haers, S.J.

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