Bispos, padres, religiosos e religiosas e fiéis leigos se reuniram entre os dias 21 e 28 de novembro no subúrbio da Cidade do México, para a primeira “Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe”, um encontro sem precedentes na Igreja Católica, que costuma separar as categorias dentro da própria Igreja.

De acordo com os organizadores, os bispos, padres, religiosos e religiosas somaram 60% da assembleia (20% em cada categoria), enquanto os outros 40% dos participantes eram leigos e leigas.

Antes da assembleia, ocorreram sessões de escuta em toda a região e o fruto da escuta levado à  assembleia propriamente dita. Cerca de 100 representantes de toda a América Latina e Caribe se reuniram presencialmente para a assembleia e outras 900 pessoas virtualmente. 

Esse tipo de ‘assembleia eclesial’ é dificilmente imaginável em outras partes do mundo, pelo menos por enquanto. Animada pelo CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano ) e pela CLAR (Conferência Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas), a Igreja na América Latina abraçou e implementou o Concílio Vaticano II.

“Na lógica da catolicidade como intercâmbio de dons entre as Igrejas, indicada pelo Concílio Vaticano II, a Igreja deste continente tem também outro dom a oferecer a toda a Igreja, um dom que vocês valorizaram melhor do que as outras Igrejas: o dom de entender a Igreja como Povo de Deus”, afirmou o cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos.

 

A Assembleia identificou 12 desafios pastorais que pretende incorporar no processo processo sinodal iniciado em outubro deste ano (2021).

  1. Reconhecer e valorizar o papel dos jovens na comunidade eclesial e na sociedade como agentes de transformação.
  2. Acompanhar as vítimas das injustiças sociais e eclesiais com processos de reconhecimento e reparação.
  3. Promover a participação ativa das mulheres nos ministérios, governo, discernimento e tomada de decisões eclesiais.
  4. Promover e defender a dignidade da vida e da pessoa humana desde a concepção até a morte natural.
  5. Aumentar o treinamento em sinodalidade para erradicar o clericalismo.
  6. Promover a participação dos leigos em espaços de transformação cultural, política, social e eclesial.
  7. Escutaro clamor dos pobres, excluídos e rejeitados.
  8. Reformar os itinerários formativos dos seminários incluindo temas como ecologia integral, povos indígenas, inculturação e interculturalidade e pensamento social da Igreja.
  9. Renovar, à luz da Palavra de Deus e do Vaticano II, o nosso conceito e experiência da Igreja do Povo de Deus, em comunhão com a riqueza da sua ministerialidade, que evita o clericalismo e favorece a conversão pastoral.
  10. Reafirmar e priorizar uma ecologia integral em nossas comunidades, com base nos quatro sonhos da Querida Amazônia.
  11. Promover um encontro pessoal com Jesus Cristo encarnado na realidade do continente.
  12. Acompanhar os povos indígenas e afrodescendentes na defesa da vida, da terra e das culturas.

Fontes:

 https://www.ihu.unisinos.br/614925-assembleia-eclesial-uma-contribuicao-singular-do-catolicismo-latino-americano-artigo-de-massimo-faggioli  

 https://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/614856-os-12-desafios-pastorais-da-primeira-assembleia-da-igreja-da-america-latina-e-caribe