Crer no Deus “amigo da vida” nos compromete a viver a “amizade social” como atitude oblativa.

Neste tempo quaresmal, a Campanha da Fraternidade nos motiva a viver a amizade social como um estilo de vida, fundado no modo de viver de Jesus. Viver como Jesus significa encontrar-se com “o mundo do sofrimento, da injustiça, da fome… e não ficar indiferente”. A fraternidade, que nasce da compaixão, nos leva a reconhecer no outro uma dignidade e uma capacidade criativa de superar sua situação.

A amizade social se enriquece quando se deixa pautar pelo diálogo fecundo, pela cultura do encontro, pela paciência e tolerância com o diferente, pela renúncia a instrumentalizar e descartar o outro simplesmente porque “vive, pensa, crê, sente e ama de maneira diferente”.

O(a) discípulo(a) missionário(a) não é aquele(a) que, por medo, se distancia do mundo, mas é aquele(a) que, movido(a) por uma radical paixão, desce ao coração da realidade em que se encontra, aí se encarna e aí revela os traços da velada presença do Inefável; o mundo já não é percebido como ameaça ou como objeto de conquista, mas como dom pelo qual Deus mesmo se faz encontrar. O mundo não é lugar da exploração e da depredação, mas é o lugar da receptividade, da oferenda e do encontro inspirador.

Isso pede de todos nós uma atitude de abertura e de deslocamento frente ao outro, o que implica colocar-nos em seu lugar, deixar-nos questionar e desinstalar por ele… Importa, pois, re-descobrir com urgência fraternidade como valor ético e como hábito permanente de vida.

 

Pe. Adroaldo Palaoro, SJ